terça-feira, 30 de abril de 2013

Prefiro ser poeta.



Dor. Ela simplesmente chega, não pede licença, de fato ela não é educada. Invade o teu ser e te toma por inteiro. Sufoca, asfixia. É triste sentir dor, mas sim, ela faz parte da vida. Talvez aprendamos mais com a dor do que com qualquer outra coisa. Um sentimento que coloca o tal "nó" na nossa garganta. Tem vezes que parece que não vamos suportar. Toda forma de dor é ruim, incomoda, mas a dor de dentro é a pior, com certeza. Esta parece mais um veneno, vai corroendo tudo por dentro, silenciosamente, de forma letal. Vai matando tudo, mata a alegria, mata a paz, mata a esperança, e, em muitos casos, mata também a vontade de viver. A dor tem o dom de trazer uma grande aliada: a tristeza. Quando a tristeza é convidada pela dor, a festa fica completa. É, sei que a dor também é parte da vida, mas eu preferia que ela não existisse, pois a minha geralmente vem acompanhada de muita tristeza. Prefiro ser poeta. 


O poeta é um fingiDOR
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
( Fernando Pessoa)
 

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